Raio-X de um quase desastre


Os fãs cottagers devem sentir saudades da temporada 2012/13. Sob o comando de Martin Jol, o time não conseguiu grandes resultados, venceu só 11 jogos entre 38, mas terminou em uma estável 12ª posição naquela Premier League. Foi o último momento estável do Fulham. Na temporada seguinte, veio o rebaixamento. Na que está acabando agora, o perigo de cair para a League One acompanhou o clube até a antepenúltima rodada.

Regressemos até antes do início da atual temporada. O técnico Felix Magath foi contratado para salvar os Cottagers na Premier League, fracassou, fez claras inimizades entre os jogadores e foi mantido para tentar reerguer o clube.

Magath foi embora sem deixar saudades no meio da temporada
Apostando em vários jovens - e se livrando de quase todo o elenco que disputara a elite -, o Fulham estreou com uma derrota para o Ipswich, em 9 de agosto do ano passado. Apenas dois jogadores que estrearam naquele time estiveram na última rodada, em outra derrota, desta vez para o Norwich. Na verdade, ao total, 49 atletas foram utilizados nas três competições que os londrinos jogaram.

Sob o comando de Magath, os Whites conquistaram um ponto em 21 possíveis, estando na lanterna da Champ após o dia 18 de setembro, quando o time chegou a estar vencendo o Nottingham, fora de casa, por 3 a 2, mas levou uma incrível virada de 5 a 3. No dia seguinte, Magath, enfim, foi mandado embora. Na sequência, surgiram boatos, que viraram informações, sobre os métodos antiquados que o alemão utilizava em seus treinamentos.

Symons estreou com derrota para o Blackburn, em Londres
Kit Symons veio como interino, depois de bons trabalhos nas categorias de base dos Whites. Com ele, veio a primeira vitória, em Birmingham, diante dos Blues: 2 a 1, de virada, em 27 de setembro. Durante um mês, o Fulham teve, talvez, seu melhor momento na liga, com uma derrota apenas em oito jogos. O desempenho fez Symons ser efetivado formalmente em 29 de outubro - curiosamente, um dia depois de o time levar 5 a 2 do Derby County e cair na Copa da Liga.

Hugo Rodallega marcou no fim e o FFC bateu os Blues por 2 a 1
O discurso era de subida rumo aos play-offs de acesso para a Premier League, mas a prática foi muito mais dolorosa. Em 5 de dezembro, o Fulham levou 5 a 0 do Watford, no Craven Cottage. A instabilidade do time era evidente, e a defesa, uma das piores do campeonato, vazava em quase todos os jogos. Na verdade, depois de vencer o Nottingham em 21 de janeiro, a equipe londrina amargou uma sequência horrível, com uma vitória em dez jogos, e a eliminação com frango de Marcus Bettinelli na Copa da Inglaterra.

Bettinelli, porém, foi um dos grandes nomes dos Whites na temporada. Foram três pênaltis defendidos e inúmeras defesas difíceis ao longo da campanha, transformando-o em um dos fortes candidatos a melhor jogador do time em 2014/15. Se ele salvava atrás, aos poucos Ross McCormack foi se tornando um dos nomes do ataque. Embora tenha iniciado a temporada sendo chamado de gordo por Magath, o escocês viveu seu melhor momento no fim da temporada, chegando à marca de 19 gols na campanha Cottager.

Betts (C) foi um dos bons nomes dos Whites na season
O rebaixamento só foi evitado na antepenúltima rodada, quando os Whites fizeram 1 a 0 no Blackpool, o pior time do campeonato. O gol salvador foi de Matt Smith, dos casos claros de como o Fulham não aproveita bem seus atletas. O centroavante estreou sendo expulso em Reading, e caiu em desgraça com Magath. Acabou emprestado ao Bristol City, onde, em um jogo só, anotou quatro gols, ajudando o time a ser finalista do Football League Trophy - o time foi campeão, mas já sem Smith, que retornou aos londrinos após empréstimo.
McCormack e Smith: dupla de sucesso nos últimos jogos da liga

Com 14 vitórias, dez empates e 22 derrotas - e a segunda pior defesa da Champ -, o Fulham acabou em 17º. Os 11 pontos acima do Millwall, primeiro rebaixado, não refletem uma situação que foi de perigo até perto do fim da liga. Mas, depois de tantos erros, podemos dizer que alguns jogadores terminaram em alta a temporada. Quem são eles?



Marcus Bettinelli: os Whites demoraram a apostar no jovem de 21 anos. Jesse Joronen e Gabor Kiraly - e ainda Richard Lee, que veio, mas não jogou - também tentaram, mas Betts mostrou reflexo, qualidade e liderança. Inclusive, já despertou a atenção do Chelsea.


Lasse Christensen: o volante dinamarquês mostrou, sob o comando de Symons, que sabe chegar muito bem ao ataque. Defende, cria e marca gols com habilidade. Chegou a ser especulado pelo Aston Villa no meio do campeonato. Duas lesões no tendão o fizeram perder vários jogos, e a tendência é que volte ainda melhor para 2015/16.



Ross McCormack: chamado de gordo por Magath, o atacante ainda reclamou de jogar fora de posição, mais recuado, no começo da era Symons. Depois, como centroavante, deslanchou. Finalizou a temporada com 19 gols - menos do que o esperado, mas o bastante para um clube que não tinha um artilheiro desde Bobby Zamora.

Fotos: Fulham FC

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